terça-feira, 5 de janeiro de 2016


Água "Estagnada"

Está aí um título grotesco para expressar minhas impressões mais genuínas deste início de ano de 2016, pelo menos no que diz respeito ao meu entorno.
Neste instante  assisto a uma chuva cadenciada por um marasmo ritmado e bebo chá.
Gosto tanto das combinações inesperadas e ou contraditórias entre as palavras que por vezes chego a achar que são perfeitas, quase incorruptíveis.
Se parece que este texto pretende chegar a algum lugar...
Uma chuva paralisante combinada com uma crônica que não se desenrola para o fim.
Acho que esta água,  como as palavras,  pode assumir qualquer forma, pode estagnar, fluir ,evaporar, dissolver com tudo ou inundar discretamente, uma linha sem conexão. Pode desaguar em qualquer parte ou se perder anônima e despretensiosa. Palavras líquidas para um mundo líquido.
Acho absolutamente apoteótico este antagonismo latente nas ideias, tanto que chego a pensar que é melhor guardar segredo.
Parece que a vida cifrada em metáforas e códigos é muito mais fácil de entender do que quando explicada. Em profusão.
Faz sentido? Ah Tenho certeza que não!
Este quase fim de tarde fantástico e molhado ,por exemplo,  ilustrado por um bege embaçado e cuja trilha sonora original de gotas sobrepostas cantarolantes irremediavelmente irrepetíveis poderiam se traduzir num simples lugar comum, afinal  virou um pedaço sólido de experiência, um arremedo de trecho em obras na minha estrada com poucas curvas. Meu córrego de tempo... sem mais
Feliz 2016
beijo lindo
da melind@

ps.: sujeito a alterações

Turva , densa, límpida, cristalina, profunda, torrencial, calma, encachoeirada, vital, sensorial....submerja , afogue-se , inale, exale, transgrida....

domingo, 15 de março de 2015





E agora...

A tarde calma vai sussurrando um silêncio de dar vertigem
Parece que tudo deixou de estar , de acontecer...
A luz se acalma  branda entre nuvens aconchegadas no sonho
Fica tudo assim sem porque, razão ou norma..
O dia rasgou o protocolo e parou na sombra
Restou um brisa que podia ser marola embalando o tempo
Me deixo aqui no ponto final.

beijo lindo
da melind@

domingo, 16 de novembro de 2014





"Cada um de nós é vários , é muitos , é uma prolixidade  de si mesmos . Por isso  aquele  que despreza o ambiente  não é o mesmo  que dele se alegra ou padece.  Na vasta  colônia  do nosso ser há gente de muitas espécies , pensando e sentindo diferentemente."
Fernando Pessoa, Livro do desassossego, anotações(30/12/1932).

Ensimesmada a procura do próximo si mesmo desta viagem!!!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Eco


∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ∙ૐ

Tento ver meu rosto vivo
mas apenas a máscara inerte
se materializa como um retrato
Junto as folhas de hortelã e manjericão
 que o vento devolveu,
Sinto um sabor oco da varandinha
acanhada na casa da minha avó
É seu rosto no retrato
Parece  1972
As notas amontoadas do tecnô escoam
da festa na cobertura do edifício vizinho
e empurram  a janela incômoda
A menina escorre para dentro de si sem
perceber que o tempo é seu único capital
Palavras cuspidas com sabor de chá
e letras ...

beijo materializado
da melinda

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Meu eu e eu....
 
Este complexo ente que busco incansavelmente continua sendo enigmático. Apesar de nossa intimidade, sei que minha percepção da realidade não passa de uma interpretação superficial - positiva, negativa ou neutra - à luz de um conjunto de fatores externos e variáveis. Uma representação do meu ego multifacetado. A leitura que fazemos de nós mesmos é apenas uma face montada por julgamentos , ferimentos e conceitos. Todo entulho acumulado polui os sentidos. O que resta é nosso pacote de memórias , aquilo que nos preenche. O Persona e toda sua falácia.
As coisas precisam ser esvaziadas de tudo aquilo que projetamos para elas. Não  há caminhos superficiais e nem remedinhos tarja preta.

Pensando alto....nas entrelinhas

beijo nosso!
da Melinda

 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Epílogo do dia

São 19:57h e a noite já se faz presente, acompanhada pelo vento cantarolante que se espraia pelas ruas e pelas frestas, encerrando o expediente do dia. Muita gente chegou e outro punhado partiu na sonolência do vinte e um de fevereiro. Corações aceleraram , olhos marejaram, dores, alívios, começos e finais. O ciclo é implacável e sigo anestesiada, adentrando  sonhos e descartando pedaços inúteis de meus bocados de vida. Espio meu balaio de letras e fica o combinado. Te espero amanhã!
 
 
Que todos possam ser felizes!
 
Beijo implacável ( adoro implacável)!
melind@
 
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Só um momento!

Em uma manhã envolta  naquela chuva fina e quase alentadora dos dias de calor, cá estou reunindo os pensamentos desorganizados pelas férias de verão. Parecem naturais esses momentos nos quais não há nenhum juízo de valor acerca dos fatos. Os pensamentos simplesmente se esvaem com a garoa acinzentada e apenas as letras que se juntam na tela  parecem  fazer qualquer sentido.
A preguiça se espalha pelo corpo e a ilusão de que tudo está como deve subordina o tempo e o espaço.
Outro dia assisti no cáfé filosófico(Luc  Ferry e Jorge Forbes) uma conversinha sobre a morte dos paradigmas e este nosso mundinho liquefeito de cada dia. Anestesia Geral!!

Que todos possam ser felizes!!
bj momentâneo
da Melinda