sábado, 11 de setembro de 2010

Respirar

Minha professora de Yoga é recorrente nas aulas quanto à questão da respiração. Mais especificamente sobre a importância da exalação.

Quem tem qualquer conhecimento sobre yoga já sacou que respirar está na espinha dorsal da prática. Por isso é tão importante retomar sempre o assunto. Na última aula falou algo que me deixou pensando:

-Quando nascemos nosso número de exalações está determinado.

Claro que é uma metáfora mas é um assunto para se pensar.

No Domingo eu assisti uma entrevista no canal livre com o cardiologista Carlos Alberto Pastore e entre outras coisas muito interessantes que ele afirmou estava a questão da respiração.

Há trabalhos publicados que constataram que quinze minutos de respiração profunda por dia podem alterar um quadro de hipertensão arterial( e não é apenas no momento, mas sim a longo prazo). Uma coisa simples que pode ser acrescentada a rotina de qualquer um e alterar por completo o quadro clínico, além de influenciar em todo o metabolismo.


A primeira coisa essencial para a vida é a respiração. Não seria exagero afirmar que quando respiramos estamos exercendo a prática de viver. Estamos vivendo. A Terra inteira respira, como um corpo uno. Dá para ter esta percepção ao atentar para este ato simples e tão inerente a cada um de nós.



Recentemente em outra oportunidade onde assisti uma pequena palestra com o zen budista Jorge Melo que esteve em Bigrivertown, veio à tona a questão da respiração.



Falando sobre a importância da meditação, prática que também tenho abraçado com imensa felicidade(embora ainda sem a disciplina prescrita), ele enfatizou o quanto é fundamental respirar. Cinco minutos de meditação(respiração) produzem benefícios inumeráveis para saúde mental e física.

Adentrar o olhar para nós mesmos e inspirar lenta e profundamente. Ouvir-se e relaxar. Conectar-se com o próprio corpo, sentí-lo, auscutá-lo. Há uma sinfonia de sons didáticos para nosso autoconhecimento.


Quando inspiramos e recebemos o oxigênio estamos conduzindo energia indispensável para nosso sistema. Quando exalamos estamos desapegando, mandando embora o resíduo das queimas gasosas. Estamos abandonando o que sobra. Esvaziando.



Existem inúmeros exercícios respiratórios profiláticos, mas a mais simples cadência e atenção ao movimento respiratório já pode gerar uma transformação espetacular.



Altera a forma de ver a vida, a auto-imagem, acalma e redimensiona a ação das substâncias químicas em nosso organismo.


Se fosse apenas uma forma de nutrição espiritual ou de trascendência ( como tenho ouvido ultimamente) já seria uma prática fantástica, mas é um ato vital e pode mudar a vida.
Eu, pessoalmente uso a respiração como uma forma de relaxamento para meditação. Me concentro no ato de inspirar e sempre busco prolongar o ato de exalação. No ato de exalação é muito importante ter uma consciência inicial para posteriormente obter o momento da entrega. Exalar (como diz a mestra) é entregar.
Respirar pelo menos três vezes antes de tomar uma atitude responder ou manifestar pode ser um desafio importante ( difícil). Pode até parecer um exercício exageradamente oriental, mas pode evitar muitos embaraços, combate à ansiedade e é uma atitude disciplinadora da mente.

Não. Eu não estou exagerando. É uma experiência muito simples, basta um fazer.

Sobretudo pode ser uma experiência de descoberta e de muito prazer. Convido qualquer leitor a fechar os olhos agora mesmo e centrar-se nesse ato tão sublime . Além de respirar resgatar na memória um momento de prazer e paz também ajuda a restaurar o equilíbrio. E não sou eu que estou dizendo..

Experimente-se!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Nostalgia, escollhas e memórias...

Acho que estou ficando nostálgica , cada vez mais. Fico aqui conversando com meus botões e avaliando o amontoado de ítens, não diria amontoado, talvez acervo, é acervo é melhor. Então fico inventariando o acervo de memórias que me tornei. Tenho tão intensas vivências que não quero esquecer. Acho que tenho medo de perdê-las ou de me perder.

Os apelos para o novo são inúmeros. Como diria o poeta, o tempo não pára e justamente por ser implacável e ao mesmo tempo tão fugaz, ficamos querendo abraçar tantas possibilidades que a vida oferta . Há tanta pujança que me parece indiscutivelmente paralisante.

Fico travada entre o novo e o velho. Entre o fluxo que se oferece e os apegos, que talvez nem sejam apegos, mas um certo cuidado com as preciosidades que já coloquei em meu baú.
São muitas escolhas e a palavra escolha nunca esteve tão presente em meu pequeno inventário.
Depois de muito trilhar eu começei a perceber que não há apenas o lado A e o lado B. Existe um lado C, que talvez seja a ponderação e o equilíbrio.
Vejamos que o lado A é onde estão as melhores músicas, onde estão as escolhas objetivas . Há muita substância no lado A. Digamos então que trata-se da parte substantiva de nossa vida.

Como se fosse o lado direito do Cérebro. Organizado e prático.
Bom, o lado B, poderia ser a antítese, o contraponto. O aspecto mais interessante. Aquele que vai sendo construído com a dialética da existência. O aspecto subjetivo. A contemplação. O não óbvio. Para o lado B são reservadas as abstrações e adjetivações. Seria como dar acepção aquilo que vivenciamos.

E aí finalmente chegamos ao lado C. O lado do LP que não toca ,mas que deixa marcas indeléveis chamadas percepções e sensações. São as marcas ,como cicatrizes, aquelas que nos identificam como únicos. Nosso curso não pode ser reproduzido nem copiado.Muito menos gravado.

É resultado da nossa equação com nossas variáveis. É a sobreposição de todas as variantes em nosso complexo sistema multidimensional.


Na geometria desta minha obra que já acalento com tanta saudade, ficam muitos ângulos a conhecer ainda e muitos espaços para criar em meu baú.




beijo C
da melinda

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
A vida é um sistema dinâmico não linear?
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.


domingo, 5 de setembro de 2010

Melinda , Alter e eu...

- Oi Alter! O que foi agora?

-Nada!

-Hoje é domingo e são exatamente 7:59. Eu posso saber porque me acordou assim cedo?

-Eu não consigo dormir mais?

-Por que? O que foi que houve? Estava indo tão bem!!

-Você está indo tão bem. Eu não estou indo a lugar algum! Eu não existo!

-O que é isso Alter? Eu não estou aqui te ouvindo? É claro que você existe. Se não existisse não teria me acordado em um domingo às 7:59!

Olha, nós podemos discutir isso às 8:59. Me dá mais uma horinha e vamos ter esta conversa!

-Eu estou em crise. Não está vendo! Estou com síndrome de alguma coisa! Eu tenho medo de morrer... Eu sou um fragmento de alguém inconsistente..

-Como assim , síndrome de alguma coisa Alter? Morrer? Você é mesmo um folgado. Desde quando fica conspirando enquanto eu durmo? Crises são para pessoas complexas e este definitivamente não é o seu papel!

-E qual é o meu papel? O que é que eu represento afinal nesta droga de vida?

-Bom já que perguntou eu respondo "você só faz merda"! Foi criado sob medida para executá-las.. Era só o que me faltava. Criei um Leviatã..

-Tá vendo! Esta é a verdadeira face tirana e sufocante que eu conheço! Esta é você! Não tem diálogo, parte logo para humilhação!Você é muito exigente com as pessoas.

-Alter são 8:10 e hoje é domingo. Você sabe que eu abomino os domingos. Domingo é um bom dia para suicídios e assassinatos e eu estou pensando seriamente na segunda possibilidade.,

-Vai firme..

- Olha esta conversa não vai levar a lugar algum, mas manda bala!Que história é essa de medo de morrer?

-Eu tenho pensado muito no meu legado.

-Legado?

-É! Todo mundo tem um legado! Uma história, uma vida pra contar. E eu estive pensando esta noite enquanto você dormia. A vida é um sistema dinâmico não-linear.Eu sinto que preciso de espaço porque estou sufocando. Você é muito egóica e eu simplesmente não confio na sua natureza inconstante!

-Egóica ? Alter a minha paciência está se esgotando. Que papo é esse ? Alter você é eu!!

-Somente a transformação pode ajudar e a transformação precisa de profunda aceitação.

-Alter...chega dessa brincadeira. Alter você é eu, mas posso assassinar você se ficar me enchendo o saco. Posso tirar o chip..

- Muito bem, agora você chegou ao ponto.Se eu sou eu onde está minha carteira de identidade? Onde está meu cpf? Cadê minha imagem nos porta-retratos? Onde estão meus projetos engavetados? Qual é ? Quando fiz minha última viagem de férias?

-Você está parecendo o Norman Bates!Bauer...Bates...até o nome hein...

-Quem?

-Aquele maluco que brincava de ser a mãe empalhada assassina!

-Está de sacanagem! Eu sabia!

-Você está sendo melodramático! Aliás, como sempre você está sendo melodramático.Eu não inventei você.

-Ah não?

-Não! Foi o Freud! Aliás Freud tinha um Alter Ego secreto chamado Wilhen Fliess!

-Vai pro inferno...

- O blog. Isso ! E o blog? O blog é a sua casa na árvore Alter! Teu universo particular! Tem até a tua foto negativa colorida.


-Não tinha pensado muito sobre isso...Na Melinda Bauer...

-Alter. Veja bem, não há a menor razão pra ficar angustiado. Esta aventura de morte está fora de questão. Alter você é eu....

- Eu sou eu?

-Não. Você não é você , você sou eu ou um pedaço de mim. Ou, eu sou você se te parece melhor assim!Eu sou, você Alter! Somos todos um, sabe como é...

-Melinda Bauer...Você não vai matar ela vai?

- Claro que não Alter. Ela é sua! E aliás precisa caprichar mais nas atrocidades psicopatas que tem colocado na casa da árvore da melinda. Estou achando tudo meio caótico....

-Caótico é?

-Bom Alter agora que você tem material para se enforcar, será que eu posso arrebentar a tua cara?

-....... Somo todos um lembra....

beijo caótico

da melinda

sábado, 4 de setembro de 2010

A saga de Jung :episódio de hoje" Os sonhos morrem primeiro"

Os olhos fechados visualizavam as ruas desertas. Calçadas largas com pequenas ilhas verdes adornadas caprichosamente por um paisagismo intuitivo. Inicialmente uma longa trilha, retirada de um cartão postal. Parecia que ao longe formaria uma alameda profunda e infinita, mas eis que surge a praia e aquele velho e íntimo calçadão de abrindo com um tapete. Ela continua flutuando sobre o ar em sua investigação alucinante. A luz é inconstante. Há momentos em que o Sol inexistente deixa a imagem turva e cinza como um final de tarde de agosto, em outros a luz é tão intensa que simula uma experiência de laboratório.

Em algum momento ela se volta para um vulto que repentinamente se insurge pela calçada. É uma mulher muito velha que usa apenas uma calçola com o elástico gasto e caminha rápido e cadenciadamente.Os seios pendentes se misturam às peles devastadoramente flácidas. A pele muito branca deixa entrever alguns vasos capilares escuros como caminhos entalhados na carne. A postura arqueada indica o peso de sua história mal interpretada. A cabeça é de um peixe, poderia ser um bagre, mas está estraçalhada. Provavelmente tenha sido devorada por outros animais enquanto estava morta à deriva pelas ondas.A mulher com cabeça de peixe a olhou com indiferença e surpresa, como se ela fosse um alienígena a invadir o mundo daquela forma. Sentiu uma quase dor que não conseguiu enfrentar. Uma tristeza estranha se apoderou dela, mas não parou, seguiu desenrolando sua serpentina de tempo naquele espaço.

Cabeça de bagre era uma expressão muito comum em sua infância. Talvez a mulher com cabeça de bagre estivesse guardada lá.

Seguiu rumo a uma nuvem amarela que parecia uma névoa, como se fosse penetrar em um pequeno deserto colorido por uma aurora artificial. Por um instante acreditou que deveria ir naquela direção. Voltou-se para olhar a mulher, único habitante daquele estranho episódio entre os tempos.Ela seguia longe, rumo a qualquer destino que a acolhesse. Parecia estar livre.
Tentou ver os próprios pés e não conseguiu. Naquele momento não havia perguntas e nem respostas. Não iria contra a correnteza.Era o suficiente.
Sentiu algo escorregando sobre seu corpo e estendeu a mão, como se estivesse caindo. Apertou a coberta macia e respirou com os olhos abertos. Estava em casa.
beijo multidimensional

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Celebração

Não por ACASO(Página 149 = 1+4+9 = 14 = 1+4 = 5 = A+C+A+S+O) no mesmo mês de agosto do ano passado eu estive aqui sentada monitorando uma daquelas gripes que parecem ter vindo para aniquilar geral.
Pois bem , aqui estou no placar 2 a 1 para o vírus, que me jogou no isolamento hoje, plena terça-feira, com o ouvido sendo espetado por uma agulha de hora em hora e com a cabeça flutuando sobre o pescoço aquecida por uma febre que circula os 37.5 graus. Sentindo na boca um sabor de cano enferrujado e com um olhar de urso panda eu resolvi refletir sobre estes momentos.
Sou partidária da idéia de que o corpo é uma resposta às nossas ações e às energias que movemos. Portanto chego a conclusão que esta minha luta (bactérias versus anticorpos) é uma corporificação de minhas incongruências .
A vida é um fluxo, um caminho contínuo , mas nem sempre este caminho é traçado de forma clara e acredito que quando ficamos perdidos, estagnados em alguma estação escura, o termômetro acusa o alerta, toca o alarme e nos traz de volta ao estado de consciência.
Temos um mecanismo de segurança a nos dizer quando estamos saindo fora do trilho, e não que não hajam muitos caminhos, mas é preciso que seguir em frente.
Estes momentos de recolhimento de forças e reorganização dos exércitos são bastante "saudáveis", como se fosse um treinamento e simulação de salvamento. É como se estivessemos testando o equipamento e azeitando o comando de operações do corpo com a mente a fim de verificar se está havendo coerência.
O corpo quer expressar o inexpressável, quer definir o indefinível e a forma como o demonstra é manifestando o desequilíbrio. Manifestando que estou colhendo as consequências do meu próprio fazer. Ou não fazer.
Há a possibilidade de que eu entenda mal. Há a possibilidade de que você me entenda mal. Mas tudo precisa fluir.
Nesses momentos pensamos que a vida não é o que parece. Não mesmo. Há muito a experienciar sobre a existência. É preciso ir além da mente e seus dados viciados. É preciso observar .Neste momento, por exemplo, minha energia está se movendo para novos espaços no meu ser. Assim, minha única responsabilidade é com o momento, não adianta querer desfazer o que foi feito ou projetar para o futuro a minha satisfação. Eu estou aqui, com gripe e o melhor que posso fazer é mergulhar no momento, desfrutá-lo, meditar sobre ele. Agradecê-lo sim, claro.
Agora parece que isto é o suficiente!
Tem um ensinamento de OSHO que eu acho sensacional e definitivo:
"Você tem um ser único e individual, incomparável. Ele nunca existiu antes , ele nunca existirá novamente , só você o tem. Celebre isso!"
Ah e tem um outro( também de OSHO) muito próprio:

“Na vida, tudo é um risco. Tudo é um risco. Não fazer nada também é um risco.

beijo iluminado

da melind@

domingo, 29 de agosto de 2010

Às vezes perfeitos estranhos se tornam os melhores amigos.

Eu estava há semanas tentando assistir um filme que esbarrou comigo dia desses. A palavra improvável foi o tanto de magnetismo que me atraiu. Na verdade o trabalho do diretor é sobre a improbabilidade de algo acontecer , o que não é impossibilidade. Enfim, como não encontrei em locadoras foi uma mão de obra para conseguir assistir .
Eu gosto muito das esquisitices da vida. Acho que elas tornam tudo mais interessante ou mais real. A normose*(lembrando o grande mestre Hermógenes) é uma aberração.
O tema? Novamente a teoria do caos. Ela mesma que coloca o universo de possibilidades ou improbabilidades a conduzir o rumo das coisas.
Os ingredientes? A diferença extrema e brutal entre as pessoas de um lado e a condição de humanidade e solidão que as torna tão iguais de outro. O outro ingrediente é a amizade. Como o axioma ilustra" Deus nos deu a família, mas felizmente podemos escolher nossos amigos"!
Max e Mary, uma amizade diferente( ou improvável) serve aqui de pano de fundo para que eu possa delirar um pouco porque envolve dois personagens muito ricos.
Imagina uma menina australiana de oito anos com uma mãe que vivia mergulhada em uma garrafa de Sherry e um pai que quando não estava trabalhando se dedicava a taxidermia. Ela tinha uma mancha cor de cocô na testa e era humilhada na escola, onde não tinha amigos.Mary sofria do tipo de solidão mais implacável. Sua descrição do mundo é de uma simplicidade desconcertante. Entre o chocolate , o leite condensado e a série de desenhos animados" the noblets" que adorava (sutilmente com personagens que representavam virtudes humanas) ela criou um mundo de aparente felicidade junto com seu galo de estimação, Ethel. A menina acreditava que os bebês ( como lhe ensinara o avô) eram encontrados em copos de cerveja na Austrália.
Um dia quando sua mãe, que também era cleptomaníaca, deixa mostrar o produto de um furto na agência dos correios graças ao seu estado de embriaguez, é obrigada a empreender uma fuga inesperada. Mary está determinada a copiar um endereço do código postal dos Estados Unidos( a fim de investigar como os bebês nascem lá) e no momento de total improbabilidade a mãe a toma pela mão e faz com que rasgue a página no endereço de Max, o escolhido entre mihares de moradores novaiorquinos que se tornará seu único e melhor amigo. A borboleta bateu as asas.Aí fica claro que o filme dá enorme atenção aos fatos ordinários em nossas vidas e que geralmente passam desapercebidos.
Bem este foi o meu ponto de vista!!!
No outro lado do Pacífico e em outro hemisfério, na cosmopolita cidade de Nova York está Max, um judeu de quarenta e quatro anos que sofre de Síndrome de Asperger ( uma espécie de altismo de alta habilidade) e tem compulsão por cachorros quentes com chocolate. Sofre de obesidade mórbida( é um comedor compulsivo) e vive no isolamento mais completo por conta de sua inabilidade para entender o mundo e as pessoas. Estranhamente a pequena Mary também não consegue compreender o mundo e isso os une definitivamente.
Mary vai iniciar uma amizade se correspondendo com Max. Este pacto vai durar mais de vinte anos e transformar a autoestima e o destino de Mary. Ambos revelam seus mundos um ao outro e se tornam a referência mais importane ao longo de suas vidas.
É uma experiência e tanto se colocar dentro da mente de alguém e ter a sensação de que ela nos imerge em nossas próprias reflexões.
A história é fascinante e também baseada em fatos reais porque o diretor inspirou-se em uma amizade que manteve de forma semelhante. Se passa em 1976, antes do advento da internet. Não é uma obra comercial.Na verdade é uma animação com bonecos de massa em longa-metragem do diretor australiano Adam Elliot. Tem cores sombrias e o cenário é um tanto devastador. Sem rumores também o mendigo que mora na rua de Max vai dando seu recado no transcurso do filme .Sutil.
Amei quando Max declara que tentar "curá-lo seria como mudar a cor de seus olhos e que os seres humanos são imperfeitos como ele.
Há também o amor de ambos pelas palavras e o sonho de Mary em casar com alguém com nome de Earl Grey e comprar um castelo.
Apesar dos ingredientes e do final não tão feliz o filme não fica pesado e consegue deixar saudades dos envolventes amigos.
beijo estranho
da melind@

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Desabafo

Quando algo acontece em nossa vida é melhor não resistir. Isto é um pouco de teoria do caos e um pouco de tao.Também é um pouco de teoria de botequim. Enfim, talvez a melhor escolha seja deixar fluir. Conter o fluxo é como tentar segurar a água quando o copo vira. Depois do efeito impacto é que vamos avaliar o estrago.

O planeta está indo rumo ao destino que o estamos conduzindo e não importa o que façamos. Ontem eu conversava com uma superamiga que considero um exemplo de caráter e cidadania. Além de ser uma profissional vitoriosa, é excelente mãe, esposa solidária, exemplo de ética , atleta e , de quebra , uma ambientalista nas horas vagas. Tem poço para não desperdiçar água potável, faz compostagem, tem horta fertilizada com o adubo que produz, economiza água, educa e pratica cidadania. Tudo na mais completa discrição, com a naturalidade dos convictos. Entretanto ontem se descabelava por perceber amargamente que a maioria das pessoas não dá a mínima para a correta conduta ambiental. Após computar que em seu ambiente de trabalho apenas duas pessoas separavam lixo para reciclagem ficou visivelmente desanimada.
É aí que está o ponto. Muitos ainda acham que há exageros e alarmismo nos que apresentam as estatísticas nebulosas sobre o futuro do planeta, mas a indiferença a que me refiro está associada a outros relaxamentos morais e a uma gradativa alienação que coloca questões como esta ( a saúde do planeta) no final da lista, fora das prioridades .

Por mais consciência e experiência que a vida nos oportunize fica muito difícil manter a lucidez diante do bombardeio apelativo do mundo ao qual estamos acorrentados. Acabei de prometer que vou mudar meus hábitos. É uma proposta. Embora me considere dotada de perspicácia e adequada inteligência, deixo-me conduzir facilmente pela frivolidade . Acabo me movendo na direção errada e inútil da nuvem de poeira. Faço seleção do meu lixo limpo, procuro reaproveitar tudo que posso, não desperdiço comida, mas ainda assim estou longe de uma postura adequada. Sou uma consumista quase patológica. Confessei. Este é meu maior crime.
Agora há pouco eu lia um texto que citava o princípio do tao, que preconiza a simplicidade e o estado espontâneo da harmonia do homem com o Tao. É a ordem natural que busca ensinar ao homem a integrar-se na natureza, a fluir, a integrar-se em si mesmo em harmonia. Certo!
Onde está esta fluidez dentro do atual modelo que estamos concebendo?

Somos ítens de consumo , consumidos por parâmetros instituídos, por estatísticas de comportamento e por metas inatingíveis. Somos vítimas de nossa própria criação. O monstro chamado produto social está em crise.

Estou propensa a fazer pactos comigo que acabo por não cumprir, mas desejo sinceramente mudar minha relação com o consumo. Penso nos tempos em que eu era muito jovem( porque agora ainda sou super jovem...) e me imaginava vivendo em uma comunidade com os cabelos cheios de tranças , com vestidos compridos escutando os pássaros cantando e produzindo tudo que precisava. Naquele meu sonho tudo de melhor que eu poderia produzir estaria dentro de mim e não na megaprodução diária em frente ao espelho. Eu não sonhava em ter armadura social. Eu não sonhava em ter uma armadura social .


Eu poderia pensar que aquilo era um sonho deslumbrado de uma jovem que não conhecia muito do mundo ou da vida, mas o fato é que esta jovem ainda continua viva dentro de mim se perguntando porque raios eu me permiti esquecer aqueles sonhos....

Eu fico chocada ao me perceber sonhando com aberrações do tipo que só cabem em manequins de vitrine de shopings e mais perplexa ainda ao dar-me conta do espaço ocupado em minha mente com estas bestialidades.

Ah não , eu não estou afirmando que a vaidade é banal e que não é importante curtir moda e transar o corpo! Gostar de compor um visual é megalegal, principalmente se for de forma estética e criativa. É lindo quando a imagem de alguém desliza sob os nossos olhos, transbordando harmonia na composição e refletindo muito da identidade daquela pessoa. Eu já mencionei aqui que curto analisar este tipo de jogo de cena que as pessoas costumam praticar naturalmente, mas o que estou lamentando não é nada disso!

Ser completo onde quer que se esteja e com qualquer visual e, possuindo mais ou menos, deveria ser o que aprendemos no kit essencial para vida. É lamentável que ao invés de valorizar a unicidade, a singularidade que a vida nos oferece, aprendemos a abrir mão dela.

Aprendemos, e não é de forma sub-reptícia, que o importante é ser aquele que foi esculpido pelo fotoshop no outdoor. Aquela imagem virtual que só existe para provar que nunca seremos bons o bastante. A lição que ensinamos às proximas gerações é que o indivíduo é medido por suas conquistas materiais e por sua estética , além da esperteza , é claro. Importante ser manequim de vitrine de shoping, mesmo que isto seja sempre igual e muito chato. O senso comum transpira a idéia de que aquela imagem congelada da felicidade é um fim a ser atingido. Só falta colocar nas letras pequeninas do contrato que aquilo não existe, é tão palpável quanto o vento.

Que valores estamos transmitindo ao mundo? Que mensagem estamos deixando na energia do universo. Será que estamos afirmando com nosso comportamento que toda a engenharia magnífica da vida e da inteligência do cosmo fica limitada a uma imagem sintética, a uma vida in vitro, a um padrão de layout que torna-se condição "sine qua non" para a autorealização ( seja lá o que se entenda por isto).

Eu quero sair em busca da simplicidade de ler jornal apenas para deleite e conhecimento da diversidade e não para ser bem informada. E aliás pensar sobre o que é importante, de fato, para minha informação? O que é relevante para minha vida?

Do amontoado de notícias que aparecem nas páginas das grandes revistas e jornais diariamente, a redonda maioria é absolutamente dispensável. Diria que recomendável seria não tê-las lido porque são tóxicas , ou são distorcidas ou inúteis ou pior, traduzem a torpeza a que conseguimos chegar como espécie. Quando não são alijantes e entorpecentes dos sentidos pelo tanto de manipulação e tendenciosidade que contém.


Então eu diria que estou a procura daquela jovem que deixei sentada em alguma praia segurando um livro de poesia ( porque certamente a vida não é o bastante).


Fiquei um minuto lembrando a pauta do dia à dia que acaba aproximando as pessoas e fiquei aterrorizada ao perceber que a maior parte dos diálogos poderia ser apagada do script sem comprometer a trama.


O que vai sobrar para trocar se remorvermos todo o material sintético de nossas vidas ou pelo menos parte dele?


Sem perfumaria e cosmética sobra gente, apenas gente dotada de sentires e pensares , de sonhos e belezas pautadas pelas marcas e histórias , pela inventividade e talento de cada um. Sobra a arte pura de viver, assim no infinitivo. No infinito das possibilidades que existe ( e sabemos) dentro da maior simplicidade da vida. Vigor, inventividade, valentia , entusiasmo e romance( eterno romance consigo mesmo). São cinco chaves para exercer o VIVER.

Há sutilezas que a vida coloca num canto da sala e só os olhos mais sagazes estão aptos a captá-las. Quem só olha para o foco perde o arrebatamento.

beijo pactuado

da melind@

domingo, 22 de agosto de 2010

Os dois ficaram ali a contemplar aquela aurora roubada do não existir.

O coração ficou muito acelerado e as batidas pareciam alcançar vários decibéis. As mãos suavam de forma incomum e sentia que precisava conter-se. Era quase choro. Exalou tudo o que restava e caiu num sono exótico.
Quando deu por si estava em uma praia , onde não era dia nem noite. Aqui nem lá. O lugar tinha uma certa familiaridade porque sentia-se agora muito à vontade. Havia muitas tendas espalhadas entre a margem o o calçadão. Após o calçadão, que se estendia como um colar separando pescoço e corpo, não havia mais nada. Pelo menos um nada que possa ser considerado.
Nas tendas havia muito material sobre uma nova ciência onde se aprende conceitos sobre si mesmo.
Andava por entre as bancas que anunciavam produtos que não se compra e misturava-se a todos que passavam por ali, mas que não podiam ser vistos por suas perguntas. Ao seu lado caminhava o seu espírito, orgulhoso por mostrar-lhe o mundo sob o qual ele tinha total domínio.
Naquela praia entre dois mundos eles se bastavam. Seguiam juntinhos em um silêncio revelador, enquanto ele mostrava seus rostos entre os rostos.
Apesar da escuridão, havia muita luz, mas não claridade. Ao mesmo tempo ela pensava que sua memória era traiçoeira. Havia lacunas preenchidas com peças sobressalentes. Já não tinha certeza de cores.
Percorriam os passos em meio a cidade invisível onde tanto acontecia apesar de não ser exata.
Por vezes parecia um passeio comum sob o Sol. Como nas feiras livres, vestindo tênis e sentindo o cheiro da vida.
O espírito, às vezes, murmurava palavras ininteligíveis no ouvido dela. Não queria abrir mão do silêncio. Ela sorria e pensava que não podia esquecer do que não sabia. Como seria o dia seguinte, será que lembraria das certezas?
Ela queria papel e caneta. Por um instante lembrou de quando escrevia "Tamo" a um namorado a fim de não comprometer-se inteiramente com o amor. Bobagem lembrar daquilo agora -pensou.
Sentiu-se tola! Mas ali não havia sentires para tola. Tola não faz sentido.
Aqueles símbolos intrigantes que não estavam naquele instante. Um porta-retratos para não colocar fotografias, muitos livros sem título. Uma vida inteira de nada. Pessoas inexistentes, como o cavaleiro de Ítalo Calvino, que apesar de ser uma armadura vazia, sentia, sofria e pensava mais do que os que realmente existiam.
Lembrou novamente do quanto adorava feiras livres. Estava pelo avesso de uma feira livre onde só via o que não existia e nem por isso era menos intenso e tranbordante.
Avançar pela noite com seu companheiro a lhe mostrar o tanto que não existia e mesmo assim estava por todos os lados e em todos os tempos, era exótico até para ela.
Estranhamente, como não poderia deixar de ser, percebeu que tudo aquilo que tanto insistia em não existir, estava lá, possível e escancaradamente incógnito entre a realidade e o sonho que não foi sonhado.
Livros que estavam ali para não ser entendidos e todas aquelas frases apagadas justapostas para que definitivamente desistisse de encontrar o que não existia, mas que acontecia como uma avalanche que remove violentamente a capa da superfície e a atrita com seus fragmentos arrancados até que a força cesse.
Os dois ficaram ali a contemplar aquela aurora roubada do não existir . Se olharam bem dentro um do outro e acordaram.
beijo inexistente
da melind@

domingo, 15 de agosto de 2010

Valse avec Bachir, 2008

A Valsa com Bashir é uma proposta interessante. O nome é por causa do presidente então eleito no Líbano, Bashir Gemayel e retrata o massacre de Shatila e Sabra durante a ocupação israelense no Líbano em 1982. Ari Folman era então soldado israelense em combate e faz do documentário um resgate reflexivo de suas memórias. A proposta é desafiadora porque o filme é uma animação e funciona como um documentário.
O cineasta relembra como parâmetro os tempos vividos por seus pais nos campos de concentração durante a Segunda Guerra e a busca de suas lembranças apagadas e misturadas aos pesadelos e relatos dos companheiros que vai colhendo. Acima de tudo o filme questiona e perquire sobre a verdade. Se é que seria possível que existisse apenas uma.
A proposta convida a uma pesquisa histórica sobre as raízes dos sucessivos conflitos que assolam a região envolvendo conceitos étnicos, religiosos e políticos tão profundos.
O cineasta deixa escapar uma grande interrogação quanto ao comprometimento do governo israelense frente ao massacre e nos faz exercitar a inversão das posições políticas( foi durante o governo de Menachem Begin) .
O genocídio teria sido provocado pelo atentado que levou o líder eleito Gemayel a morte e provocou a ira dos falangistas que como vingança invadiram os campos de refugiados de Sabra e Shatila. Observe-se que os exércitos de Israel ocupavam o Líbano, portanto....
O trabalho percorre vários caminhos para chegar ao desfecho. Investiga os sonhos "ininteligíveis" do ex-soldado (adoro interpretar sonhos) , dá o toque de animação num tom cinza e nebuloso , ganhando por vezes as cores fortes e luminosas. Ao final revela imagens reais que me levaram às lágrimas inclementes por uma Beirute devastada. Cenas chocantes registradas sem retoques nos perguntam até onde "civilização" consegue chegar.
Eu achei bem contextualizada e elucidativa a crítica de Régis Trigo no site que segue:
http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1583

beijo cinematográfico
da melind@

mokshavidades interessantes

Audiodescritores. Sabe quem são eles? São profissionais formados para promover a inclusão cultural das pessoas com deficiência visual. Atuam no teatro, cinema, TV e outros espetáculos e eventos sociais permitindo o acesso de pessoas com deficiência visual e atuando como se fossem olhos. Achei fantástico e nem sabia desse projeto.
Imagine uma ópera de Verdi descrita , narrada, verbalizada em tempo real , ao vivo. É isso mesmo. Estar no teatro e simultaneamente ao espetáculo ter um narrador que descreve minuciosamente o contexto , desnudando a escuridão e jogando luz em recantos antes imperceptíveis. Munidos de fones os espectadores são conduzidos pelos cenários , platéias, sensações, histórias, figurinos e , claro, pela música.
Esta realidade existe e vem ocorrendo no Theatro São Pedro, em São Paulo, onde já foram apresentadas as óperas Cavalleria Rusticana, Pagliacci, o Barbeiro de Sevilha e a última foi Rigoletto , de Verdi, em Julho de 2010. A iniciativa merece aplausos, assim como a PUC de São Paulo e o Teatro.
¨¨¨¨
Outra notícia digna de nota é a criação do site meretíssimos, que monitora o desempenho dos ministros do STF. Criado pela ONG Transparência Brasil, o projeto apresenta indicadores de desempenho de todos os ministros do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte do Estado.
¨¨¨
E por falar em justiça vamos às eleições e à Lei Ficha Limpa(LC135). Debaixo de tempestade o Ficha limpa já foi ameaçado pela inconstitucionalidade , sobreviveu e agora vem sendo massacrado por liminares concedidas por nossa corte de justiça. Das 926 candidaturas protocoladas no TRE/RS 27 foram impugnadas pela PRE/RS. Resta saber o desfecho...

    Fio  Entrei no absoluto e simples vagar do tempo. Invadi os espaços aparentes que reservei para um dia. Olhei minha própria fa...