sábado, 3 de julho de 2010

Impressões noturnas

00:05 e os espaços estão repletos do mais puro e atordoante silêncio. É como se o volume máximo conseguisse revelar apenas a expectativa audível do mundo adormecido.

A madrugada é algo fascinante. O mundo inteiro (ou quase) dorme. Em alguma janela as luzes refletidas sinalizam a televisão ligada. Em outra uma luzinha baixa a enganar o escuro. Uma legião de bichos estranhos dormindo, simultâneos e de todos os jeitos. Somos mesmo bichos e o tempo biológico é implacável. Nos arrasta para dentro de nós, recolhidos do mundo por algumas horas, silentes, inertes. Desliga-se o botão. Off. Ficamos presos pelo modo stand by. Enquanto isso os programas são verificados, o consumo de energia diminui e assistimos nossos filmes internos, nossas próprias produções. Editamos nossos sonhos e nos comunicamos com nossas forças primitivas.

Lá fora uma folha cai, outra estala , um saco plástico flutua carregado pelo vento e uma motocicleta rasga a surdez do mundo por instantes. Os ratos passeiam pelas ruas, saem de seus bueiros e se fartam pelos lixos. Um grupo caminha apressado em busca de furnas onde a vida se agita e se rebela contra as normas do corpo. Lá onde o barulho espanta o sono se escondem os seres vigilantes, notívagos aos punhados. Entre copos e fumaça se esgueiram pela música e por entre as conversas soltas, miúdas, sussuradas . Transitam pelos corpos estranhos e por momentos tão íntimos, tão cúmplices a burlar a noite.

Ali perto alguém dedilha um violão desafinado em busca do sono e mais adiante um carro freia bruscamente. Um livro se fecha, a última linha perdida pelas pálpebras arreadas, as últimas palavras já estavam dentro do sonho.

A lucidez se perde e todas as possibilidades invadem a lógica neste expresso que parte a meia-noite.

Alguém desce a cortina mais uma vez. Quantas vezes desce a mesma cortina, como um ritual a avisar que o mundo precisa parar agora. Esperar até amanhã.

Na maternidade o primeiro choro de um bebê irrompe. A enfermeira deixa o plantão e sai apressada. Uma válvula emite o som de uma descarga. A luz apaga.

Um pijama estendido sobre a cama e chinelos verdes felpudos. Um galo canta perdido em algum lugar e dois cachorros ladram e correm perto da esquina.

Uma névoa densa encobre o céu. Um corpo se move, se aninha.Deixa-se.

Um gota brota sobre a folha verde. Em algum lugar alguém chora baixinho. Uma roupa dança no varal.

Os dedos deslizam sobre o teclado atrás do ponto final. O último cliente sai da pizzaria. O garçom respira aliviado.

Uma gota pinga de uma torneira desavisada, ecoando num vazio . A estrela morta rompe a cortina densa e brilha mais uma vez. O chá esfriou. Alguém respira pesado , talvez um pesadelo.

O mundo se cala, como no fundo dos mares . Cessa!

beijo silencioso
da melind@

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sem ritmo, sem sentido

Ainda não achei um ritmo, um gingado pra dançar comigo,

fico experimentando um pouco de cada,

nenhum tem meu jeito, nada tem minha cara,

tampouco achei um tom para aquela conversa,

um formato para aquela prosa ou uma verdade para contar,

A verdade que conheço é só um vento que sopra

por dentro,que passa e respira fundo

mas que sempre vai mudar, mudar um ponto

e depois tudo de quem se investigar.

Porque esta história de tempo é uma coisa de amargar.

Tudo que estava guardado uma hora deixa de estar

e vira vazio, poeira, difícil de acreditar.

O fato é coisa de momento

nada além de um acontecimento,

do destino um argumento, um ardil

ou um invento que só quer se legitimar.

E assim nessa incoerência parece que

a tal consciência consegue se esparramar

pois do que adianta cadência, certeza ou qualquer ciência

se o que fica é impermanência e o jeito de não ficar..

tudo passado a limpo e nenhuma palavra grita

Uma letra,uma caneta, uma forma de rabiscar,

um rascunho da minha ausência ou vontade de sonhar ...

Esta fastidiosa seqüência sem som e

sem sílaba só apreende o tempo que consegue

capturar e esse tempo é nada, queima como incenso ,

não aquele tempo imenso caído dos ponteiros

mas o único que só vale inteiro, uno e verdadeiro,

perfeito fotografado que aqui fica empalhado.


Bons mestres....

Não há nada que eu mais "inveje"( no bom sentido é claro e deus me livre ser invejosa!!) do que a ousadia e a espontaneidade com a qual alguns aportam sobre a própria vida(é claro que a diferença para a grosseria é a leveza, leveza e leveza). Eu venho ensaiando este texto desde que começei a achar que estava ficando adulta e nem sei muito bem quando foi isso, mas há um ingrediente dissente, discordante presente no meu cenário.
Decidir entre o que é indiscreto e invasivo e aquilo que é apenas espontâneo ou autêntico parece um talento apenas de alguns. De resto é como uma oração sem sujeito, tira a verdade e o sabor do episódio.
O bom senso de oportunidade é algo muito difícil de definir e talvez a coisa mais tênue entre os dedos. Ser oportuno e não ser chocante ou invasivo.
Eu, às vezes , me sinto como um programa de rádio AM em edição ao vivo, fico vertendo todos os meus erros e tentativas e quando não estou fazendo isso sinto-me uma impostora(ausência de substância), mas é necessário estar no controle porque isto faz parte do script. Afinal, somos os micos adestrados e formatados para caber num comercial de margarina.
O que me despertou esta pequena e boa frustração foi um trecho de uma entrevista( ou a entrevista toda) de Fabrício Carpinejar ( para revista Veja) onde ele declara inúmeras coisas sensacionais entre as quais selecionei "mas, com o tempo, aprendi a me reconhecer feio e isso me deu liberdade. Se sou feio, vou me inventar, vou escrever. Aí, comecei a rir de mim. Se sou uma piada, eu vou contar a piada. Não tive mais medo de ser patético, de ser ridículo."
Acho que não preciso dizer mais nada...fico por aqui?
O poeta do Twitter como vem sendo designado, afirma ainda que a poesia o ajuda a se definir..
Como eu já sabia...a verdade sempre fascina! Fazer poesia com o lugar comum, real e trivial é algo deslumbrante e apaixonante justamente por ser sincero e autêntico. Contar a própria piada assim a sangue frio é para poucos.
E para encerrar ele radiografa a minha alma dizendo "Minha vida é um atrito diante das outras vidas. Eu vivo recuperando o que é meu nos outros. E vivo devolvendo o que é dos outros que estava em mim. É esse jogo de comparações."

domingo, 27 de junho de 2010

A Incoerência e a Arte Extemporânea..

Hoje eu acordei inspirada, talvez porque tenha aparecido um pequeno indício de sol após dois dias de frio(para mim sempre intenso, porque frio é frio) e chuva que se traduz em "tudo ficará bem"( mais molhado) e , considerando que Bigrivertown já é praticamente um alagado ao nível do mar e rodeado dele, isto é praticamente o diário de um sobrevivente(normal).

Mas, apesar destas pequenas conspirações diabólicas do imprevisível dia à dia, estou disposta a ser co-criadora deste cenário , algo a ver com um tal de livre-arbítrio. Eu acho do meu dia o que eu quiser e ponto.

Tem uma frase que diz que fecha-se uma porta abre-se uma janela, pois então eu acrescento que se não abrir a gente arromba. Parece a declaração de um gângster, mas é apenas uma frase ruim.

O que eu queria falar mesmo é sobre falar, tentar entender como tudo funciona e montar o quebra-cabeças de letras de forma que tudo faça sentido. Se é que existe um, pois como dizia o genial físico Albert Einstein" eu não sei se louca sou eu ou são os outros" e por essas e outras vou despejando tudo por essas janelas arrombadas .

Já me resignei ao fato de que não sou nenhuma barda, mas também não sou uma esteta,portanto fico mais uma vez no limbo, junto com os noventa por cento da população brasileira que faz ruído na cadeira enquanto não entende o que se passa a sua frente.

Eu explico, li um texto outro dia falando sobre arte contemporânea( meu conhecimento de arte é praticamente aquele que obtive no colegial) e do quanto as pessoas comuns temem a arte contemporânea(arte pop.), talvez por falta de vivência da própria . Nunca tinha me dado conta do fato de que esta mesma arte, teoricamente falando, precisaria de uma certa dose de sinergia com sua matéria-prima( a sociedade contemporânea) e que esta (sociedade) é aquela que sai das exposições(quando vai) demonstrando evidente estranheza sobre as obras( do tipo:isso qualquer um faz!).

Não havia percebido o óbvio, o distanciamento da arte , dos curadores e críticos da sua matéria prima( a sociedade). Claramente, não existiria arte sem sociedade certo? Somos fruto de uma cultura e esta uma construção a partir de um grupo social. Sendo assim, estaria faltando alguma peça neste quebra-cabeças.
Mas o que seria esta arte contemporânea? Segundo a wikipédia um período artístico que surgiu na segunda metade do século XX e se prolonga até aos dias de hoje.Ainda é muito vago...
Ninguém tem dificuldade em perceber a beleza de artistas clássicos e ou modernos notórios porque está centrada na estética e nas referências que todos nós aprendemos a ter, nosso conceito do belo. Já o contemporâneo(não menos belo) está focado na leitura do comportamento, em outro tipo de estética, na crônica visual ( poderia ser? que medo!). Portanto fica muito mais complicado partir de um conceito novo de arte com o qual a maioria das pessoas não tem intimidade. É uma abordagem totalmente recente e portanto é necessário ilustrar esta sociedade sobre si mesma. Há um novo repertório de questões e análises críticas. ( o delírio)
Parece que há um certo temor à vulgaridade ou à "popularização" de algo que até então era tido como elitizado e distante. Como se arte fosse apenas coisa de artista.
No mesmo gancho do contemporâneo a blogosfera está revelando inúmeras e cada vez mais criativas formas de expressão, criticadas com ferocidade (é bem verdade) por alguns que ainda se sentem no topo da pirâmide. A mesma idéia que limitava a produção literária à esfera profissional, o jornalismo aos redatores, repórteres, fotógrafos e por aí vai.
As novas ferramentas da comunicação admitem do genial ao ordinário , a popularização destas novas formas de manifestação que se originam nas inúmeras tribos sociais. Autorizam o impensável.
Uma adolescente inglesa que grava vídeos para o youtube sobre maquiagem e vira marca de produtos de beleza, um garoto que envia vídeo clipes caseiros e é encontrado por um caça talentos de uma gravadora, um jovem que monta um blog como forma de terapia e acaba virando livro e referência de moda, um cartunista que publica seus trabalhos num site e ganha unanimidade. Já existem até um museus de arte digital. A amiga de uma amiga fazia trabalhos combinando fotos digitalizadas de coisas e objetos(como hobbie) e acabou se classificando para expor em um museu de arte digital.
A blogosfera oferece o diferente individualizado ou especializado , a possibilidade de perceber um novo enfoque da "arte" e da construção de uma contracultura às avessas.
De oficinas, performances e ensaios à catálogos de obras clássicas, toda sorte de construções que o engenho humano é capaz de inventar está disponível nos milhares de sites informativos divulgados democraticamente para quem quiser acessar.
Em outras palavras uma maneira de fazer tábula rasa com o que aprendemos a apreciar do ponto de vista do esteta quanto à pintura, arte gráfica, literatura, música, enfim, toda esta métrica estabelecida, este modêlo preconcebido e que está ruindo ( no bom sentido) e libertar o olhar para o original, o experimental e o desconhecido.
É possível aprender muito com as singulares e inesperadas manifestações que estão disponíveis(a um click) ao bom investigador do mundo e especialmente de si mesmo. O criador da wikipédia, Jimmi Wales afirmou recentemente em uma entrevista que o grande lance da web é a colaboração,a contribuição,partilhar conhecimento e informação.
Uma legião de cronistas de oportunidade e romancistas da hora está ao alcance dos olhos. É só degustar.Acho que a arte é , acima de tudo, libertadora e incoerente, como somos todos nós.
Pegando outra ponta solta lembrei que em comentada e recente matéria o grande poeta e escritor Ferreira Gullar ( encerrando a presente digressão sobre o entender a arte nos entendendo ) diz que ... "o poema (para ele) não tem plano, é uma grande aventura do como fazer, a página em branco que significa todas as possibilidades abertas, infinitas. O poema é cura, não doença, escreve para ser feliz.... é a alquimia da dor em alegria estética..diz que a arte inventa a realidade e que shakespeare ( adorei) inventou a complexidade da alma humana...
Gullar diz ainda que a " a poesia é uma dessas criações , no terreno da fantasia, que existe porque a vida não basta..."
Na mesma entrevista o poeta Ferreira Gullar cita um de seus antigos professores acerca das grandes revoluções políticas " A Revolução desmonta uma coisa que os séculos criaram" e isto leva muito tempo pois nenhuma mudança se opera aos saltos. Pois é, os séculos nos trouxeram até aqui e nunca deixamos de nos surpreender com os inumeráveis reveses histórico-cuturais que se operaram.A revolução tecnológica, midiática, cultural (e social) que estamos vivendo está derrubando conceitos e expandindo fronteiras , portanto reinventando a arte, o que é a marca do contemporâneo.
Estamos sempre de volta ao começo, no limiar de nosso inteiro desfazimento...
beijo extemporâneo
da melind@

domingo, 20 de junho de 2010

A Menina falante...feliz aniversário

As vésperas de completar dois anos de idade ela travava sua batalha pela sobrevivência naquela noite fresca de outono contra seu arquiinimigo e único companheiro, o irmão de quatro.

Ambos corriam pela casa aos sustos , ele fingia-se de monstro fixando os olhos arregalados e caminhando atrás dela com os braços estendidos para frente e as pernas duras ( como um morto-vivo), ela soltava gritinhos de medo e risadas enquanto fugia.

Eles disputavam cada "quark" da atenção da mãe, que era tão ocupada. Ela, a caçula, garimpava o que sobrou do filho primeiro, sempre o mais desejado e amado pelas mães. Seu irmão loiro de olhos grandes e belos cílios era magro e frágil, tinha os traços maternos(ponto para ele) e era ostentado como uma medalha.

O Garoto ainda tentava recuperar o tanto de atenção que lhe fora levado pela chegada daquela pequena e barulhenta intrusa, que completaria dois anos no dia seguinte. Ela trouxera um mundo de choros, manhas e fraldas, uma mãe atarefada e impaciente que se dividia entre o trabalho , a casa , o pequeno comércio de queijo e manteiga e os dois tesouros de sua vida. Ah, o pai, é claro, se conformava com o que lhe cabia.

Naquela noite em especial estava atolada em massinhas, confeitos e coberturas que iriam colorir o segundo aniversário da sua menina que falava como um adulto- como a mãe gostava de contar.

Tinha aqueles cabelihnos castanhos muito lisos e brilhantes que não aceitavam cachos e nem seguravam os enfeites que a mãe colocava com tanto apuro. A menina falante de olhos castanhos fundos e sobrancelhas grossas ocupava muito espaço no pequeno endereço da família.

Já passava muito das oito e a leiteira velha de alumínio grosso fervia o leite engrossado com aveia que a mãe colocava na mamadeira dos pequenos. Já haviam tomado o banho e vestiam seus pijamas de flanela leve. Ela gostava de tê-los quentinhos porque a casa era fria.

O pai ainda não chegara mas tudo estava primorosamente organizado , como costumava ser. A mãe tinha mãos mágicas, como toda mãe. Guardanapos engomados , toalhas muito brancas e macias, parquê encerado como espelho.

Haviam começado a tocar as batidas do relógio carrilhão de mesa alemão que o pai mantinha como uma jóia, britanicamente soando a cada trinta minutos, quando uma a pequena correu aos gritos em direção à cozinha a procura do colo da mãe. Atrás vinha o irmão vestido de seu personagem assustador, a múmia.

Acho que foi Nietsche quem falou que quando você olha através do buraco, o buraco também olha através de você. Pois foi neste pequeno lapso de segundos que o acaso mudou o rumo previsível daquele ano de 1966.

Naquele preciso instante a mãe lembrou de apanhar um pano de louça e afastou-se do fogão, deixando o leite com aveia fervendo em fogo brando. Foi neste momento que o imprevisível trouxe a pequena aos trambulhões (esqueci de dizer que ela sempre foi atrapalhada). No lugar da mãe jogou-se para o fogão Wallig branco e para a leiteira fervente. A leiteira rodopiou com o impacto e escolheu o lado mais improvável para virar.

O conteúdo fervente entornou sobre seus cabelos castanhos e brilhantes, seu rosto, penetrou o pijama de flanelas xadrez e abraçou seu corpo. Do vazio ela só sentiu aquele calor que doía, o medo por ter feito algo errado e o tempo parou naquele segundo. Não havia ninguém -pensou- naquele segundo estava só.

Os risos foram substituídos pelos gritos estrangulantes que lhe renderam uma pequena hérnia inguinal. O mundo escureceu. Era seu aniversário.

A mãe voltou-se para aquela cena e sentiu a pior dor que já experimentara. Movida pelo instinto tomou a pequena nos braços , cortou o pijama com uma tesoura removendo-o das partes onde conseguia com um pote de creme da Helena Rubstein. Besuntou o pequeno corpo seminu entre gritos e lágrimas e enrolou em um lençol branco impecável.

- Socorro!- só uma mãe é capaz de correr pela rua assim.

Foi o Galaxy do seu Antoninho que a levou ao hospital embrulhada naquele lençol alvo, um corpinho nu soluçante no colo da mãe.

Foram cinquenta dias de dor, febre e convulsões. Por alguns momentos não sabia muito bem se estava sonhando e o irmão desistiria de assustá-la e apenas sorriria.

Pessoas estranhas entravam e saíam. Ataduras, curativos e visitas chorosas, muitas visitas lastimosas.

O hospital, dirigido por irmãs de caridade, como a mãe falava, era habitado por bruxas e fadas, algumas eram as duas coisas.
Restou-lhe na memória o aniversário sem bolo e velinhas. Sem parabéns. Duas bonecas se perpetuaram em seu imaginário(as que podia brincar). Uma chamou de Dalila, era pequena e usava uma touca de pélos de inverno, a outra era gordinha e vestia um maiô amarelo, tinha um coque como o da Vilma dos Flintstones, ela a chamou de Tânia.

Naqueles cinquenta dias ela foi o ser mais importante para a mãe. Era o ser mais importante do mundo, considerando que o mundo era apenas um grande hospital. Seria inesquecível.

A mãe, não parava de se surpreender com aquela menina falante que perguntava afetadamente ao médico:

- Doutor, será que eu vou morrer?- contava.

A menina falante também usava o verbo para para mostrar os poucos "nomes feios" que aprendera com o tio Paulo, o irmão mais jovem de sua mãe. Era sua arma contra os castigos da bruxas.

-Tão pequenina e com tanta maldade no coração- disparava a irmã Isaura - chefe da ala onde estava "internada".

A mãe temia que ficasse com marcas e não suportava pensar que a pequena aniversariante tivesse cicatrizes maiores que as lembranças daquele dia .

A natureza inteligentemente encarregou-se de jogar-lhe as cicatrizes para o braço direito e para a pele da parte inferior do queixo a medida que crescia. Marcas que a pequena sempre exibia como se fossem suas medalhas e contava orgulhosamente:

- Meu irmão tentou me matar quando eu tinha dois anos!- disparava.

Ah, o irmão? Bom , o choque foi difícil. Ele aposentou a fantasia de múmia com olhos arreganhados por algum tempo e prometeu que iria cuidar dela, da sua irmazinha falante e também única companheira de brincadeiras, além dos livros, é claro , os quais ele sempre preferia.

Bem que ele tentou outras vezes quebrando o nariz dela aos nove e deixando ela a pé em uma estrada por não conseguir aprender a dirigir...brincadeirinha!

Mas continuaram brincando, digo , brigando pelo amor da mãe, pela coca-cola, pelo assento no carro, pelo último grão de arroz..

O fato é que ela cresceu graças a tudo isso. O lençol branco , o Galaxy do seu Antoninho, o colo da mãe, as fadas, a boneca Dalila e o creme da Helena Rubstein.



Beijo cicatrizado

da melind@

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Palavra!

O grande desvario de escrever alguma coisa é que não se pode usar uma fórmula certa, ou jeito certo, principalmente num texto como este, por exemplo. Não há receitas e não existe manual, imagino que a vontade de verter um pensamento em forma é um dos elementos chave. Toda fonte de informação torna-se uma idéia em potencial que poderá encaixar-se a qualquer momento pela trilha das palavras. Há naturalmente a questão de conseguir manter um objetivo, um foco e não apenas perder-se na vaidosa dança das palavras(erro comum).
Combinar palavras é algo apoteótico, quando se começa a brincar com elas não dá mais vontade de parar e o mais incrível é que já não importa o porquê de se estar escrevendo mas a necessidade ávida de revelar-se nas letras entrelaçadas ou , eu ousaria dizer , conhecer-se e encontrar-se no meio e no resultado.
Ao especular é normal perder-se nas armadilhas que aparecem pelos caminhos, entre os períodos que vão se desencadeando em novas idéias e parecem ganhar mais ênfase que o pensamento gerador do texto. Ao plasmar-se nas palavras o autor coloca seu sentir, veste seus títeres com diversos modêlos e cores e passa a manifestar-se ( ele mesmo), pulverizado entre as realidades representadas por suas metáforas e alegorias.É um perigo!!!
São descobertas deliciosas, é verdade e, podem levá-lo a esquecer o leitor do texto( se é que se tem um) e diga-se de passagem, todos querem ter leitores e críticos. Aqueles velhos espelhos que fazem parte do processo entre criador e criatura.
É um processo ambivalente este de bulir com as palavras, porque ao mesmo tempo que o escritor se compartilha generosamente, se busca, se colhe, se elabora e nunca sai incólume.
Mas a matéria-prima, é bom que se diga, é conteúdo do instinto e não da razão e técnica.
Penso que o processo de escrever, redigir, contar histórias a partir do ângulo que muitos nem perceberam é próprio e individual , movido pela paixão e pelo envolvimento que o autor tem com a vida e a fantasia. É seu compromisso em transcender a aparente coerência dos fatos.
Já houve momentos em que tive a certeza de que alguns autores tem o dom de promover um encantamento com seus textos, capaz de hipnotizar e deter seu leitor, cativo até que se esgote a última palavra.
A análise de um texto também é reveladora como uma radiografia da mente. É possível captar sinais indeléveis da personalidade, do grau de organização da mente e da relação do autor com o mundo.
Eu não tenho a pretensão de intitular-me "escritora", sou uma "especuladora de letras", talvez uma "exploradora de verbetes" e sou muito desorganizada, me derramo aos borbotões de palavras, quero a apoteose num gole só.
Alguma vez já ouvi ou li que, um leitor-escritor não precisa de analista, os autores e personagens são seus investigadores pessoais e nutrem sua mente com os elementos vitais ao amadurecimento. Escrever é experimentar-se.
Prosa, poesia, conto , crônica, romance, não importa, o ingrediente é audácia. Valentia de arriscar-se na escalada verborrágica e correr o risco de descobrir-se ali, em carne viva, exposto e humano, inteiro e , ironicamente, sem maquiagem ou armadura social.
Acima de tudo, escrever é uma descoberta pessoal e um caminho que podemos traçar sozinhos, se assim o desejarmos.
Todos temos imensas e infindáveis trilhas interiores que vão desembocar sempre no original.
Elementos essenciais como a verdade e sinceridade denotam a lealdade do escritor-autor para com seu trabalho e são imprescindíveis.É possível a um leitor mais perspicaz perceber quando há verdade e sinceridade em um texto, mesmo se trata-se de uma obra de ficção. São as verdades que nos levam ao delírio e nos conquistam , nos arrebatam.
Portanto, se há vaidade, hipocrisia e descaso com a palavra, estas vão tranbordar pelas entrelinhas e o crédito do autor está maculado. Permitir-se ser simplório e ingênuo às vezes é uma forma de manter os pés no chão.
O que eu sei é que em algum momento desses últimos milênios, mais especificamente quando o homem aprendeu a comunicar-se através da palavra escrita, algo mágico aconteceu.
Escrever é magia, transmutação, alquimia e não há como traduzir tudo isso de uma vez, tem que ser aos bocados. Esta substância bruta que é a palavra alimenta-se de alma, mistério, razão, paixão e os tantos atributos que ela nos empresta generosamente.
beijo enternecido
da melind@

sábado, 12 de junho de 2010

Onde vivem alguns dos meus monstros...

Assisti a três filmes muito interessantes e de categorias bem diferentes, mas cada um se deixou um pouco em mim. Sabe quando ficamos lembrando de determinadas cenas e falas repetidamente. As três histórias falam de superação . São laboratórios instantâneos.Vamos a nossa catarse!

O primeiro foi " Preciosa" do diretor Lee Daniels . Nada leve, mas muito corajoso. Por quê? A história é de enfrentamento e superação. Amo histórias de superação. A personagem era uma menina negra, que devia pesar uns cento e cinquenta quilos. Ela fora violentada pelo próprio pai desde os três anos de idade com a anuência da mãe que também a abusava . Engravidou duas vezes do pai e o primeiro bebê tinha síndrome de down. Para completar o pai lhe transmitiu o vírus da Aids. Se tudo indica que o filme é um drama de exagerado mau gosto, esqueça! A excelente Gabourey Sidibe nos conduz por dentro do limbo que criou para sobreviver. É interessante ver como alguém sem luz própria (ou que se acreditava assim) canalizava toda sua dor para fantasias bizarras que caminhavam lado a lado com sua dura realidade. Pra pensar!!!
O segundo foi o absoluto "Onde vivem os monstros" Spike Jonze . Este é o meu número! Um garoto de cerca de nove anos( aquele que todo mundo tem por dentro) vivendo uma confusão temperada por sua imensa e intransferível solidão( aquela que você também conhece). Mãe separada e cheia de trabalho e responsabilidades , namorado novo e irmã adolescente insuportavelmente indiferente( matando seu próprio leão). Enfim Max está só e ao ser magoado pela mãe mergulha em seu mundo habitado por monstros cheios de dilemas existenciais adultos e que trazem alegoricamente representada a vida de Max.
Os monstros tem em Max o seu rei e a esperança de que ele lhes traga a tão sonhada harmonia e felicidade. Cheios de fraquezas humanas os fofos monstros vivem as mesmas armadilhas que envolvem humanos. Os monstros retratam os vários papéis vividos dentro de nós, nossos medos e decepções. Muito interessante. O garoto se refugia na fantasia até elaborar-se nessa experiência que lhe impõe ironicamente a maturidade. Finalmente despede-se e volta para o colo da mãe.
O terceiro filme foi " Educação" de Lone Scherfig . Excelente. Nos faz questionar nossas escolhas. Afinal às vezes desejamos tanto fazer as escolhas certas que esquecemos de viver ou nos divertir ou ainda agregar felicidade ao caminho e não apenas depositá-la lá no final da rua.
A história se passa na Inglaterra e trata-se de uma jovem que carrega nas costas o peso de ser o grande investimento dos pais de classe média. O sonho é ingressar em Oxford. Para uma mulher, na época, um grande desafio. Entretanto cai de pára-quedas em sua vida, num dia de chuva, um homem mais velho que , apesar da condição econômica abastada, denota claramente um estilo de vida pouco ortodoxo. Apesar de ser um péssimo exemplo o homem seduz nossa heroína Jenny e sobretudo seus pais( que também ficam deslumbrados com o jeito sedutor do rapaz), esquecendo que deveriam ser guardiões da segurança de Jenny.
Jenny vai provar o amargo sabor da dúvida e aprender do jeito mais duro sobre o peso de nossas escolhas.
beijo
cinéfilo
da melind@

Impressões que entram pela janela..

A Adriana Calcanhoto canta uma música que eu acho sensacional....acho que chama "esquadros" e tem um trecho mais ou menos assim: pela tela...pela janela...quem é ela ....quem é ela ....eu vejo tudo enquadrado( olha o duplo sentido), remoto controle...eu ando pelo mundo....
Sobre ter e perder o controle, sobre os enfoques que dispensamos aos que nos cercam, sobre ficar presos em convenções e esquemas. Enfim!
No último final de semana eu ampliei meus quadros, me desenquadrei e me enquadrei, digamos que olhei por outras janelas.
Lá estava eu sentada em uma poltrona rumo a Porto, uma revista em uma das mãos- para amenizar as falsas quatro horas e meia , que são na verdade cinco e meia cumprindo os trezentos quilômetros-ai como eu amaria um Trem-Bala- Por que a copa do mundo não está sendo em Bigrivertown ao invés de Joanesburgo? (Eu até iria assistir um joguinho) -e na outra mão segurava a expectativa e a ansiedade.
O cenário era uma chuva fina, com o fundo cinza suicídio e um silêncio dominado pelo barulho constante do motor, a estrada se desenrolava como uma língua de sogra, dentro e fora de mim, como uma ponte que se abre e fecha em relação aos novos mundos.
O pensamento solto povoava cada espaço da minha mente e eu tive aquela sensação de "unicalidade" que li outro dia na crônica da Danuza Leão, a sensação de ser única e inteira naquele momento e em qualquer lugar. Percebi que , mesmo separada do meu universo particular, eu poderia estar inteira e completa, que tudo que tenho , levo comigo e só.
Eu fui a Porto para encontrar minhas irmãs que não via há tempos e , é claro que encontros são sempre memórias, gavetas abertas e remexidas. Novas janelas se abrindo e outras sendo fechadas com tijolos.
Trocar confidências, revelar segredos, compreender antigas histórias nebulosas. Fortalecer conexões e trazer o passado de volta.
Novos mundos se abrem, novos dias se prometem, o tempo se perde nas horas do relógio e lá estou de volta na estrada, retornando ao meu universo particular com o sangue oxigenado de vida e possibilidade.
Reconhecer e reconhecer-se no outro, achamos pedaços de nós em nossa família. Fiquei impregnada do novo, voltei com os bolsos cheios de energia, vigor e magnetismo.
Lembrei da tal resiliência, ampliar-se e saber voltar ao estado inicial( voltar para casinha).Das inúmeras histórias que circundam uma cidade em seus singulares e humanos indivíduos ( a unicalidade). A mulher do apartamento de cima que mora com uma jibóia de estimação, o desembargador do café que tem oitenta e mente ter cinquenta acreditando que resgata sua vitalidade, um grande amor que deixou este mundo e o mestre francês que cura. O homem que tirou seu brinquedo da Kia da concessionária para tomar uma pancada pior e as outras tantas histórias escondidas atrás das luzes .
Rodamos pela cidade e pelo tempo, bebemos vinho, lambuzamo-nos de mousse de chocolate , fizemos compras e trocamos identidades e aprendizados. Conspiramos contra o tempo e o destino, fizemos planos e sobretudo rimos , de chorar.
Lembrei de uma música do Ed Mota sobre chorar de ri. É tudo de bom!!

Um beijo
tudodebonzinho
da melid@

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Inspiração

Agora há pouco quando levei o Stuart para desbravar os canteiros da rua Duque de Caxias vivi uma experiência interessante. Enquanto esperava que o pequeno e ardiloso monstrengo quadrúpede executasse seu ritual matinal, fui abordada por um rapaz de ar simpático e longos cabelos , ao estilo souroqueiroedaí. O rapaz muito despachado com uma abordagem mansa e natural se aproximou de mim e apresentou-se :
- Oi! Meu nome é M.H.
Se eu não estivesse completamente amarrotada -havia acordado e enfiado um casaco sobre a camiseta sem passar pelo espelho-diria que pareceu uma abordagem galante, mas meu senso de realidade logo deduziu que seria alguma chateação.
Fiquei surpresa quando o rapaz começou a falar sobre seu trabalho de músico e que havia produzido um DVD independente que estava oferecendo às pessoas. Encantador. Contou-me de sua carreira de vinte e cinco anos e do estilo de música que fazia. Acostumado a tocar em todos os lugares, mas com poucas oportunidades ele lançou seu trabalho com composições próprias , design simples, sem pecado e com muita disposição para conhecer pessoas e divulgar seu trabalho. O DVD estava sendo comercializado por um valor bastante modesto e bem a título de divulgação.
Este nosso país!!!
Muito legal. Além de ser um artista de bigrivertown e ter este ímpeto , as músicas, que acabei de ouvir enquanto mudava o layout do blog da melinda e escrevia estas linhas, são no mínimo bacanas, leves.
Sabe aquele contexto de lugar comum e vida simples, sonhos que estão pelas mentes , pelas bocas, cartas, diários e livros.
Sensível e sincero em suas letras , o músico ganhou minha admiração e respeito.
Acreditar em si mesmo é algo mágico. O rapaz , que usava muletas com grande agilidade, mostra seu trabalho às pessoas comuns que encontra na rua. Disse que aproveita o momento também para conhecer pessoas e inspirar-se para o próprio trabalho de composição.
Letras como "Era "quase" uma vez" inspirado naqueles que passam a vida quase conseguindo alcançar seus sonhos( alguns ). Ele falou que coisas legais merecem uma música.
Lembrei de uma história do Tejon sobre uma senhora , dona de casa, que sonhava em viver da poesia e viajar pelo mundo. Já na maturidade após criar filhos e transpor suas próprias barreiras esta senhora começou a produzir seus próprios livros, com seus poemas e vender em aeroportos. Hoje ela viaja pelo mundo com o dinheiro que ganha vendendo seus poemas. Muito legal!!!!
Achei que esta história merecia um rápido post sobre o quanto as pessoas in( comuns) são inspiradoras.
beijo
melind@

sábado, 29 de maio de 2010

O amor nos tempos de cólera

Ontem conversando com uma amiga sobre os modernos "relacionamentos", ela me dizia que , segundo acredita, as pessoas não querem mais assumir compromissos. Preferem encontros eventuais , prazeres por prazeres e , de preferência, nada de vínculos.
Penso que talvez, não seja , tanto ao mar e nem tanto à Terra. Eu comentei que havia assistido ao filme( com o delicioso Cloney)" Amor sem escalas" e que achei o camarada um babaca e aquele modelo americanófilo de araque,uma coisa sofrível, principalmente porque faltava algo de substancial no argumento. Penso que continuamos sendo aqueles serzinhos primários que ainda sonham em conquistar um(a) parceiro(a), um(a) cúmplice, um(a) companheiro(a) e ser amados(as) aos moldes das grandes películas ou dos romances mais passionais imortalizados pela humanidade afora.
Lamento, mas acredito que nada mudou, exceto pelos arquétipos novos que foram introduzidos no sistema de relações humanas e por um detalhe "a coragem".
O comodismo, o medo de desarrumar a casa e sofrer algum tipo de dissabor ou decepção tornou-se uma armadilha.
Mulheres, que sempre foram seres tão complexos, mas enrustidos, agora são escancaradamente desafiadoras e encontram homens que não conseguiram ainda desligar-se do estereótipo da década de sessenta.O resultado é um estrondoso desencontro. Acho que é preciso que ambos assumam seus novos papéis. As mulheres que assumam sua "independência"cultural, financeira, emocional e o novo status para poder , ao encontrar um homem, buscar unicamente um par amoroso e não uma solução definitiva . Isto porque não se pode esquecer que hoje não há mais definitividade. Os ciclos chegaram e nada é para sempre, nem o mais estratosférico "amor". Ao dizer adeus a segurança e reconhecer que esta é apenas uma ilusão , será possível a todos descansar em paz.
O ideal nunca existiu a não ser nos romances e no platonismo adolescente, portanto , o que mudou foi a disposição. Acho que talvez seja uma questão de ajuste. Ainda existem zilhões de seres experimentando relacionamentos que ensaiam da tragédia à comédia e testam novas fórmulas para sobreviver a esta crise das relações humanas. O que é , sem dúvida, bárbaro!!!
Lendo um texto do Contardo Caligaris " A coragem do amor que dura" fiquei analisando que tipo de atitude sou em um relacionamento. Acho que fico deslocando o balde para estancar as goteiras. Aliás, acho que todos ocupamos variados papéis, hora tentando impedir que o barco faça água com pequenos improvisos, hora assumindo decisões difíceis ou definitivas. A vida real é , sem dúvida, muito mais instigante do que qualquer délírio folhetinesco. Se partirmos do pressuposto de que nos transformamos o tempo todo , não é possível imaginar um amor que permaneça pelos tempos e pelos fatos incólume como uma obra de arte estampada sobre a tela. A erosão desnuda toda possibilidade iminente e se os agentes não estiverem presentes e vigilantes, vão se perder e ponto.
No livro do Gabriel Garcia Marquez, "O amor nos tempos de cólera", eu obviamente torci contra aquele amor incômodo e tão humano do Florentino Ariza.. que medo!
Acho que este post está cheio de contradições, o que é bastante sintomático.
beijo anestésico
da melind@

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Curso sobre azeites

Esta última sexta feira tive a grata surpresa de assistir a uma pequeno curso sobre azeites, promovido pela Fundação Ecarta, no Honk Papa. Legal ver estas idéias se propagando aqui em Bigrivertown.

O curso "Azeite de Oliva Uma Cultura Milenar" foi ministrado pela palestrante Ana Romero, que é nutricionista da Secretaria de Saúde do RS e consultora da empresa Uniagro.
A idéia era apresentar azeites de oliva e aprender sobre suas diferenças, sutilezas e benefícios para a saúde. Abordou também a história, origem, variedades de azeitonas e principais países produtores.

Ao final houve degustação de azeites espanhóis, gregos, portugueses e italianos. Frutados , intensos, aromáticos. Uma délícia.

Eu já sou apaixonada pelo sabor do azeite, mas até aqui me detinha apenas em observar a acidez máxima por causa dos benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares e tal, mas fiquei ainda mais seduzida por esta cultura e a nobreza e cuidados com seu cultivo.
Fui com duas amigas que já estão fazendo esta trilha há mais tempo. O curso faz parte de um projeto da fundação para o interior do estado e já houveram outras edições sobre vinhos, palestras com enólogos e sommeliers( com degustação , é lógico).
Acaba sendo um superprograma, melhor do que passeio na Serra Gaúcha ( a louca)! Brincadeirinha! Mas eu tinha que registrar aqui no Blog da Melinda porque é super bacana, além de saboroso.
Um pouco da elegância mediterrânea e aquela atmosfera que reproduz o universo destas áreas européias com tradição nestas culturas ( vinho e azeites) , e que às torna tão facinantes, foi borrifado aqui pelas bandas de bigrivertown.
O esmero e apuro destas práticas , segundo vimos, já vem sendo materializado em algumas áreas aqui no Rio Grande do Sul. Muito interessante.
beijo azeitonado
da melind@

    Fio  Entrei no absoluto e simples vagar do tempo. Invadi os espaços aparentes que reservei para um dia. Olhei minha própria fa...